
by ~Photography-B on DeviantArt
“A princípio fazia-me sofrer muito a idéia de parecer ridículo. Não o parecê-lo, mas o sê-lo. Eu sempre fui ridículo, e eu já o sabia talvez desde que nasci. Talvez já aos sete anos eu me apercebesse perfeitamente de que era ridículo. Depois fui para a escola, e a seguir para a Universidade, mas... Quanto mais aprendia, mais obrigado me via a reconhecer a minha condição de criatura ridícula. De maneira que todos os meus estudos universitários não tinham outro objetivo senão o demonstrarem-me e explicarem-me a mim próprio, nas minhas meditações, que eu era um ser ridículo. E, na vida, acontecia-me o mesmo com a ciência. Todo o ano aumentava e se fortalecia em mim o conhecimento da minha condição ridícula, em todos os sentidos. Toda a gente se ria de mim. Mas ninguém sabia, nem suspeitava sequer, que, se existia no mundo um homem que soubesse melhor do que todos eles como eu era ridículo, esse homem era eu próprio. E era precisamente isso o que mais me enraivecia: que não soubessem. Mas disso tinha eu a culpa. Fui sempre tão orgulhoso que por nada desse mundo o teria confessado a ninguém. E esse orgulho ia crescendo também em mim com os anos, e se eu me tivesse permitido confessar a alguém, fosse a quem fosse, espontaneamente, que era um homem ridículo, teria imediatamente metido um tiro na cabeça, na tarde do mesmo dia. Oh, quanto me fez sofrer, na minha mocidade, o medo de não poder talvez conter-me e de dizê-lo de repente, eu próprio, aos meus companheiros! Mas, com o andar do tempo, quando me tornei um rapazote e, apesar de continuar reconhecendo cada vez melhor todos os anos essa terrível condição minha, fui-me sentindo cada vez mais tranqüilo... Não sei por quê... Precisamente por alguma razão que ainda hoje ignoro. Talvez por, nessa altura, se ter introduzido na minha alma o receio perante determinado conhecimento que humanamente era mais elevado que o meu eu... E que foi a convicção adquirida de que tudo neste mundo é, afinal, uno.”
O Sonho de um Homem Ridículo - Fiódor Dostoievski
http://www.4shared.com/file/110325285/7f89cfd8/7331832-Dostoievski-O-Sonho-de-Um-Homem-Ridiculo.html
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Eu não queria escrever nada. Mas acabei querendo.
...
Ás vezes, eu penso que se eu pegasse trechos de cada livro do Dostoievski poderia ser possível explicar meu eu. Mesmo que não faça sentido. Uma frase. Um parágrafo. Eu vejo o meu ser refletido nas palavras do outro.
Engraçado... Eu achava que se alguém pudesse me definir de maneira cristalizada, entraria em um desespero tão profundo que não valeria mais a pena eu ser. Tanto que eu sempre preferi me defender com o argumento que eu estou, não sou.
Mas quando ele fala: “Eu sou um homem mal. Eu sou um homem ridículo. Eu sou um homem covarde.” Eu sinto uma identificação tão forte, que é como se eu falasse. Eu viro o personagem. Eu sinto a vergonha e a dor da auto-afirmação, com um misto de satisfação e orgulho por sê-lo.
Talvez não seja tão desesperador ser... Isso me lembra o “Homem do Subsolo”, ao mencionar como ele seria mais feliz se ele pudesse se afirmar como algo, mesmo que seja preguiçoso. Ele levaria esse titulo com o orgulho de SER. E essa afirmação o cegaria, tirando o desespero de pensar sobre não ser.
Eu estou confusa. Deve dar pra perceber. Vai ver... Eu SOU confusa. Vai ver... eu SOU um homem ridículo, no maior estilo dostoieviskiano de existência. Onde o que predomina é a dança caleidoscópica de sentimentos podres. De sentimentos merdas... Que destroem... Que matam.... Que nos transformam na loucura sobre a razão pura. Tudo que não há de ‘belo e sublime’. Toda podridão que só se revela quando tudo arde. Quando precisamos que arda. Quando é necessária a dor...
“... a dor é beleza, pois só a dor tem sentido.” (F.D)
Desabafo de merda. Não SOU prolixa, nem poética.
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Ás vezes, eu penso que se eu pegasse trechos de cada livro do Dostoievski poderia ser possível explicar meu eu. Mesmo que não faça sentido. Uma frase. Um parágrafo. Eu vejo o meu ser refletido nas palavras do outro.
Engraçado... Eu achava que se alguém pudesse me definir de maneira cristalizada, entraria em um desespero tão profundo que não valeria mais a pena eu ser. Tanto que eu sempre preferi me defender com o argumento que eu estou, não sou.
Mas quando ele fala: “Eu sou um homem mal. Eu sou um homem ridículo. Eu sou um homem covarde.” Eu sinto uma identificação tão forte, que é como se eu falasse. Eu viro o personagem. Eu sinto a vergonha e a dor da auto-afirmação, com um misto de satisfação e orgulho por sê-lo.
Talvez não seja tão desesperador ser... Isso me lembra o “Homem do Subsolo”, ao mencionar como ele seria mais feliz se ele pudesse se afirmar como algo, mesmo que seja preguiçoso. Ele levaria esse titulo com o orgulho de SER. E essa afirmação o cegaria, tirando o desespero de pensar sobre não ser.
Eu estou confusa. Deve dar pra perceber. Vai ver... Eu SOU confusa. Vai ver... eu SOU um homem ridículo, no maior estilo dostoieviskiano de existência. Onde o que predomina é a dança caleidoscópica de sentimentos podres. De sentimentos merdas... Que destroem... Que matam.... Que nos transformam na loucura sobre a razão pura. Tudo que não há de ‘belo e sublime’. Toda podridão que só se revela quando tudo arde. Quando precisamos que arda. Quando é necessária a dor...
“... a dor é beleza, pois só a dor tem sentido.” (F.D)
Desabafo de merda. Não SOU prolixa, nem poética.
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