sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Achei...

by `GeorgeHarrison on DeviantArt

Uma vez já achei que eu era cor.

Era roxo,
vibrante,
porém fosco e integro.

Uma outra achei que era som.
Som musicalizado ainda por cima.

Onde já se viu tanta ousadia?

Era feita por um piano,
suave, de leve,
calmo.

Já achei que era luz,

Era fraca,
azulada,

Diminuia devagar...
E chegando ao quase não existir...

Ascendia e acendia nuns tons alaranjados de quem precisa se igualar ao Sol.
Eu queria ser sol.

Mas nunca fui.
Sempre achei que fui lua.
É...
acho que já fui lua.

Então...
Uma vez eu achei que era lua.

Eu me escondia,
mas aparecia curiosa como quem precisa saber o que vai acontecer no próximo capítulo.

Uma vez já achei que era criança,

E acabei sendo um sorriso mais livre.
Eu já achei que era um sorriso.
Do sorriso,
facilmente fui beijo.

Do beijo,
fatalmente fui lágrima.

Uma vez eu achei que era lágrima.

E acabei sendo uma criança mais livre.
Uma vez eu achei que era jovem

E que sendo jovem estava longe da morte.
Acho que uma vez eu fui imortal.

Achei que era vida.

Da vida eu fui ao inseto,
do inseto eu fui à flor.

Da flor eu fui ao pólen,
do pólen eu fui ao vento.

Eu já achei que era vento.

E que vinha do mar.
De dia eu vinha do mar,
ver a terra.

Dá saudades, sabe?
De noite eu caminhava pro mar.
Pra solidão.
Dá mais saudades ainda, sabia?
Eu já achei que era o quase vazio,
Só não era vazio porque achava que faltava algo.
E achar que falta já preenche espaço.
Nunca achei que era completa.
Não consigo nem pensar em achar que posso ser completa.
Loucura isso.
Hmmm....
Já achei que era louca.
Já achei que era desespero.
Mas quando percebi que era desespero porque queria ser normal...
Eu achei que queria ser louca.
Me permeti.
E eu achei que era louca.

Aí eu acabei sendo um sorriso mais livre.
Eu achei que era sorriso.
Do sorriso,
facilmente virei beijo.

Do beijo,
fatalmente virei lágrima.

Na lágrima, eu voltei ao quase vazio.
Eu achei que era velha e que a morte estava logo ali.

Eu achei que era a morte.

E que a morte de mim era sozinha.
Eu não tinha mais o tom,
Nem o piano,
Nem a cor,
Nem as estrelas,
Nem a terra,
Nem as asas,

Nem o beijo.
Eu era gente.
E sendo gente eu senti que eu não tinha nada.

Eu senti que eu era a minha tristeza mais aprisionada vindo à tona com o ódio
De quem por muito é esquecida,
De quem por muitas vezes foi trocada.
E sendo gente eu vi que eu não queria ser gente desde o inicio.
E eu não fui.
Eu não fui gente.
Eu fui sonho.

2 comentários:

Aline Gomes disse...

Nada tem sentido, nem parece inteligente. Pessimamente, eu sei que não quero escrever. xD

Unknown disse...

eu queria deixar registrado que esse texto é putamerdamtofoda! o final... a falta que preenche espaço... do beijo fatalmente lagrima...
no nao sentido cria sentido pra mim, do nao inteligente - pro genial... do eu sei q nao quero escrever - pro espero que escreva..
;*