
Em algum momento você cansa.
Cansa de estar cansado.
De fazer as mesmas coisas insanamente iguais.
Insanas porque te enlouquecem em sua repetição.
No seu ritmo constante e pobre.
E quando você finalmente acha que fez algo certo,
mudou de forma, recriou o espelho...
De repente em sonho um fantasma bate a porta.
Ele não quer saber do seu cansaço, só do próprio propósito macabro.
Ele quer aterrorizá-lo com aquilo que foi velado e que não era pra voltar.
Ele leva consigo a dor dos não-vivos em presença.
Obriga o sentimento resignificado a bater no peito teoricamente cicatrizado.
Pensei que enfim iria sorrir, me desnudar do peso constante da eterna sobrecarga.
Mas ela parece não cansar. Sou eu que canso. Ela só aparece.
Aparece carregada pelo fantasma de mim mesma,
que não se livra do assunto inacabado,
que continua no mesmo piso rachado esperando pelo reparo do mutilado.
Canso.
Deito.
Pra que? Sempre volta. A mesma patética história sempre volta.
Ela aponta e ri.
Aquele riso assustador que acompanha a certeza da sua capacidade de afetação.
Humilha. Machuca. Faz companhia.
Sussurra gélida ao meu ouvido, mas não diz nada.
Faz tremer só por aludir. Só por comparecer.
Espírito aprisionado no porão de minha alma maculada, sai pra fazer visita.
Vem dar um alô, vem me prestigiar com sua imaterialidade maldita.
Vizinho de mim vem pedir uma xícara do resto de eu que sobrou em mim.
Fecho os olhos, mas ele ainda está lá. Ele está sempre lá.
Canso.
Deito.
Pra que?
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