Eu quero voltar... mas apagaram o retorno.
Os pássaros comeram as migalhas de mim que deixei pra trás pra marcarem caminho.
Agora não tem volta?
Terei que ficar presa nesse ser incompleto, mudado, piorado pra sempre?
Abdiquei do ser em função do estar...
Arrependo-me.
Não tem como mentir...
Verdadeiramente me arrependo.
Como se volta a ser?
O que eu faço com essa coisa que chamo hoje de Eu?
Acho que no fim, gostava da segurança.
Gostava do azul, o eterno azul.
Quis virar vermelho e perdi o confortável e sempre presente azulado.
Será que seria sensato tentar voltar às cegas?
Será que me acharia de novo ou só me perderia mais?
Por que mudei?
Por que marquei o caminho com pedaços soltos de mim?
Pois é...
Ninguém avisou que poderia seguir inteira.
Ninguém avisou que não tinha problema não mudar.
Ninguém avisou que gostavam de quem eu era.
Ou avisaram?
Bem...
Descobri isso depois.
A derradeira tomada de consciência só apareceu quando de repente já não estava mais em casa.
Abri os olhos e havia saído... havia entrado na temida floresta..
Naquela da qual fugi por tanto tempo...
E lá não encontrei nada.
Nada.
Nem casa feita de doces, nem bruxa.
O que encontrei foi mais caminho.
O que encontrei foi um eu que em mim havia se perdido.
Adotei o estar.
Adotei o fluido.
E consegui confusão.
Na busca de me encontrar me perdi.
Na busca de melhorar...
O que restou?
Questiono-me: tornei-me um monstro?
Não.
Tornei-me um de vez em quando, nem sempre, talvez hoje, mas não amanha... monstro.
Bonito essa coisa de estar... bonito isso de mudar pra agradar...
HÁ.
Muda pra agradar e desagrada.
Desagrada a todos e desagrada ao si, agora despedaçado.
Hoje me estranho.
Peguei o eu que havia criado tão arduamente e apaguei.
Apaguei.
Como se apaga um perfil fake de orkut.
Que merda eu estava pensando?
Chamavam-me de luz e eu quis mudar?
Falavam que eu era boa e eu quis ser má?
Não.
Não foi isso. Eu juro. Não foi.
Mas não sei o que foi.
Você acredita em mim se digo que não é, mas não sei explicar o que é?
Eu tinha um teto. Um ótimo teto.
E sai pra floresta?
Arrependo-me.
Não tem como mentir...
Verdadeiramente me arrependo.
Não sei do que sou feita, porque não sou mais feita, sou ar.
Instável. Mutável. Totalmente perdida.
Desestabilizada.
Desestruturada.
Em vez de me usar como esboço, me apaguei pra fazer tudo de novo.
Tudo do zero.
Zero,
eis o que restou do ser que uma vez já fui.
Zero ou monstro?
Já não sei mais.
Esse é o ponto.
Não sei, não sou...
Mas tenho uma pergunta pra você:
você gosta do que me tornei?
Tenho uma pergunta pro ar:
você gosta do que se tornou?
No dia dos mortos
Há 12 anos
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