quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Ressaca emocional


Ontem bebi demais.

Virei uma garrafa inteira dele

e pra gelar,

coloquei cubos de ilusão.

Entorpecida, ri.

Aproveitei cada minuto.

Dancei.

Mas era pouco.

Sempre é pouco.

O muito nunca gela.

Dei outro gole,

e mais outro.

Quando vi, a garrafa de romantismo tinto já avisa se juntado.

Veio fazer parte da festa.

Completar a falta.

Aplacar a sede.

Sim, tive sede de você,

e bebi.

Bebi ao amor sem que sobrasse choro,

só lagrimas da certeza da farsa.

O engodo que veio com o gelo,

aquele da ilusão que misturei a você.

Gosto forte, cheiro tenso,

e ainda assim,

vício sem status de realidade.

Só cheiro.

Pois é,

o aroma branco do seu corpo se pega, se sente.

E só ele faz sentido.

Não.

Só ele dá sentido.

Pois é,

me embriaguei da história flambada que criei pra satisfazer.

Como se a própria idéia de satisfação não fosse piada.

Piada servida com Disney 12 anos e Shakespeare 1595.

Pois é,

ontem me era open bar

e as 3:45,

assim,

sem explicação,

eu continuei a te amar.

Um comentário:

Aline Gomes disse...

Gosto muito. Gosto muito. Ver você ler isso em voz alta... Foi uma experiência unicamente maravilhosa. Diversos arrepios, diversos choques... Como se fosse pela primeira vez que li e como se pela primeira vez tocasse as feridas de toda paixão tóxica que se tem. Ai, minhas neuroses... meus bloqueios de contato. Porque amor é isso... é sofrer por esse amor. (: